sábado, 31 de maio de 2008
um poema a dez ou doze mãos feito em 5 minutos
fruto da manhã
stela
alba posta em ramos
só
espera por ti
conjunto sideral
o mosaico de estrelas
concêntrica luminosidade
desiderato
destino em vórtices,formas, signos vãos
sortilégios gravados
na escuridão do infinito
solta no espaço
nem sempre
teu fino brilho
tem seu lugar
balburdia
ouço vozes
silêncio
balbucios
buzina alerta
o tempo corre
um olhar em vigilia
vago
vazio de desejo
vara a noite
insone
inquieto
desassosegado
sábado, 24 de maio de 2008
exeperimentos com a meia sextina
1
Quando a morte tocar a vida
Fará deslocar a pedra
E mudará o rumo do jogo
Do corpo inerte, coberto de musgo
Sobrará arrependimento
E buscará o caminho do mar
Quando a noite mergulhar no mar
E não encontrar nem vida,
Nem corpo, nem musgo,
Mudará o revés do jogo
Destruirá de vez com a pedra
Dogmática do arrependimento
E sem mais arrependimento
Libertará a alma da pedra
Mudará o resto do jogo
Livrando-a também de todo o musgo
Aí sim, alcançará a vida
Quando o dia mergulhar no mar
(Sinara Marques)
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2
volta e meia revôlta vida
caminho marcado a pedra
troca, veia e jogo
verde, terra e musgo
as costas vincadas do arrependimento
funduras azuis de mar
nas azuis funduras do mar
como sói acontecer na vida
às vezes se encontra o musgo
colado aos dados do jogo
outras vezes se acha só pedra
ou frágil taça breve de arrependimento
se sorvo o quanto do arrependimento
rolando na vida feito pedra
sorte e azar figuram no jogo
me esparramar aprendo, feito musgo
escorrendo pelos caminhos da vida
vai e vem, ondas do mar
(Deisi Beier)
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3
É tarefa de toda uma vida
Sermos em tudo diferente da pedra
Mais do que a consciência o desejo conduz o jogo
Resvalando na sua escorregadia fluidez de musgo.
Estamos a todo o momento refém do arrependimento
Prestes a ser engolido pelo mar.
Cambiante e fluida a imagem do mar
Trágica e épica como a Vida
Ora sombrio e traiçoeiro como musgo
Ora, como parte de um indecifrável jogo,
Som e fúria de suas ondas no ar e na pedra
Fonte de dores, amores e arrependimento.
Libertar-se das cadeias do arrependimento
Sair da posição catatônica de pedra
Não é tudo, mas é parte importante do jogo.
Tropeçar na pedra drumondiana, resvalar no musgo
E levantar para continuar a trajetória de uma vida
Que os poetas procuram, bem ou mal, emoldurar com a imagética do mar.
(Jorge Alberto Benitz)
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4
pensamentos cheios de vida
um caminho uma pedra
brinca o tempo suave jogo
brisa calma de verde musgo
arrepio pende sem arrependi mento
mergulho inteiro eu só o mar
tranqüilo inquieto lambe o mar
te observa a vida
estende a mão sobre o lado musgo
doce menino não conhece o jogo
fria pedra arre pendi mento
sem nenhum arrependimento
rola o tempo rola a pedra
viciou-se sentir musgo
renasce quase morta a vida
reflete puro o mar
(Jackeline Gay)
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5
Na descoberta da vida
Sigo o destino da pedra
Desafio num jogo
Onde o musgo
Do tempo do arrependimento
Foi sepultado no mar
Navego por este mar
Que me devolve à vida
Tento extrair a tempo o musgo
Com passos seguros como num jogo
Para não escorregar na pedra
Obscura do arrependimento
Chega um tempo sem arrependimento
Talhado na pedra
Teu nome faz parte do jogo
A rolar soltando o musgo
Temporário da vida
No fundo do mar.
(Ângela Warlet)
domingo, 20 de janeiro de 2008
Poemas de Berenice Sica Lamas
filtram a
claridade do sol
através de antigos vidros
o quarto é banhado
de delicado rosado
eu, que prefiro tons
azuis verdes violetas
me perco
nesta floresta
cor-de-rosa
Quarta
Carissima
sou linha ininterrupta
interrompida
desculpa a cara fechada
continuo verde e violeta
livros se acumulam e eu me despedaço
um pouco aí, um pouco cá
porem com dois pés na terra
aliás, a terra aqui também não vai bem
de saúde
n’água peixes morrem
uma coisa é certa: esqueci os desafetos
é mais saudável para o fígado
inquietude desassossego
presentes no cotidiano
de minha cadeira vejo o mundo
hoje não tenho conselhos
esta fazendo um ano que cheguei
a outro centro de gravidade
saudade de nosso céu
beijos
Arcobaleno
no parquinho
lutam para se livrar das mães
opressoras
passantes cumprem seu papel e
passam
pássaros não voam às estrelas
na tosca aldeia
e o pinheiro
adentra galhos
ao shopping
dio mio, árvores
aderindo ao consumo?
Berenice Sica Lamas, 2008
sábado, 15 de dezembro de 2007
sem segunda chance, foi muito bom
Sarau de encerramento
do curso-oficina
POESIA: A PRECISÃO DO IMPRECISO
Ronald Augusto
Sexta-feira dia 07 de Dezembro, às 19h30min
Poemas, comentários e canções
nas vozes de:
Renato Golgo
João Pedro Wapler
Daniela Montano
Isolde Bosak
Évelyn Bisconsin
Deisi Beier
Jaime Medeiros Jr
Sinara Marques
Érika Almeida
Jacqueline Gay
Paulo Viegas
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
"no pão de açucar/ de cada dia/ dai-nos senhor/ a poesia de cada dia", oswald de andrade
ralo
sente
o ralo da pia
o rolar da chuva
todo santo dia
da semana
em toda alma humana
o pio
dum maná
sente
doce
um doce na mesa
duas idéias a vagar
só
ninguém sabe
o sabor a pagar
Retrato
Tristão
ao ver a foto dela acesa
estampada num brochado
destampou as lágrimas
chorou corou orou jorrou
jorrou dez tonéis
chorou cem vasos
corou mil couros
orou milhões de gotas
do mais puro decanto
de cantos de alegria
e hinários de tristeza
e ela
ali alocada
no retrato exposto
esposando como novo
aquele velho papel mocho
isso sim o entristeceu
mas não seu broche
que mesmo espetando
o abrochado dormido
sentiu ser menos tristonho
do que a ver deslocada
numa folha bisonha
(poemas de Paulo Ribas)
***
pôr-do-sol
a lâmpada do destino acende
transforma as nuvens de ontem em acaso
a razão ratifica o sentido do tempo
contornando de lápis o espaço inanimado
não encontraremos nossa espontaneidade perdida na névoa
nem um lapso de ceticismo escapará no horizonte
esotérica
nesta carne bruta
que nasce o mato do deserto
sentou um duende
que me contou histórias eróticas
cheias de bravura
apesar de seu tamanho
vergonhoso e frágil
o pensador
pedaços do universo
numa latitude nunca antes entrelaçada
têm algo de patético
intrínseco na natureza burra
às vezes entro em harmonia com toda a voz
que sai da garganta
e morre no ar
(poemas de João Pedro Wapler)
***
V
uma árvore tingida de vermelho
um casarão de pedra
o verde que disfarça o precipício
que margeia o rio
que serpenteia no vale
o mesmo rio que não pretende
apenas segue
para misturar-se ao outro
desaguar-se no outro
trocar-se
transcendência do individual
triste sina a das gentes
que não coisas
mas viventes
passam por sua aqui permanência
a ignorar
o propósito de existir
com sentimento
de rio
VI
ossos e veias
pele e entranhas
a voz que corta
peças de um quebra-cabeça
que não mais se encaixam
demônios guardados em
jaulas de algodão
quanto pode durar
a solidão que ronda nosso canteiro
quando a casa toda vira um imenso
corredor?
ficam notas que não encontram concerto
a fragilidade que toca
quando o melhor não foi suficiente
as chamas queimam somente quando
alimentadas
peco minha essência
com sede e fome
enlouqueço pedras limos e musgos
aves balanço
imaginando alturas
cuspo o sangue do meu fracasso
pela desistência
VII
o cheiro das panelas no fogão
convida
e com licença invade a casa
ao redor da mesa
delicadamente vestida
com a coberta do casamento
acomodam-se três gerações
entre histórias lembranças
e paradas maneiras
o barulho dos talheres
embala o riso
sobremesa do coração
almoço de domingo:
alimenta convivências
engordando vínculos
(poemas de Deisi Beier)
***
1-
dentro da escola,
revolver.
revolvo o vidro da infância,
balas , bolitas,
cores disparadas
à esmo
a memória explode
no raspão
estilhaçando a crença
2-
o tempo que passo na cozinha
preparo palavras
tendo algum trabalho
em esquartejar os dedos
enquanto dedilho idéias
arrancando a pele
fisgo substantivos
abstraio moquecas
dendês e adjetivos
todo o provérbio é gustativo
papilas unidas
cimentam papoulas
que no molho
( abduzidas palavras )
polvilham estrelas
3-
procurei poemas no opúsculo professoral
as palavras pairavam
penas pequenas sem ter onde pousar
abri a folha branca
e nada
botei a mão
em concha
andorinha voou
abri o peito
redemoinho de pó
se encaixaram todos
(poemas de Isolde Bosak)
sábado, 8 de setembro de 2007
os imprecisos reunidos


